Saiba como os deficientes visuais tiram fotos

Keila Baraçal em 26/11/08

A luz que passa pelas lentes dos fotógrafos não lhes chega aos olhos, mas apesar de serem cegos, eles não deixam de fazer fotos com a luz e o foco necessários. Mostraram que mesmo não vendo com os olhos é possível enxergar com os demais sentidos. Tanto que a partir desta quinta e sexta, 27 e 28, será possível  apreciar a exposição “Percepção do Visível: fotografias feitas por deficientes visuais”. A mostra, que acontece no Centro de Convenções do Centro Universitário Senac – Campus Santo Amaro, reúne 35 imagens tiradas pelos alunos com deficiência visual. O evento é Catraca Livre.

Henrique Issao Aoki AUTO RETRATO: foto tirada por Henrique Issao Aoki

AUTO RETRATO: foto tirada por Henrique Issao Aoki

De acordo com o curador da exposição, João Kulcsár, durante a mostra, haverá aquilo que ele batizou de “Sala Sensorial”. Nela, o  público entrará num ambiente completamente escuro e serão submetidos a experimentar outros tipos de sentidos.

“O público, impossibilitado de enxergar, participa de uma experiência inesperada e os visitantes [que não sabem o que vão fazer] serão guiados por deficientes visuais pela sala”, explica. No local haverá morangos para serem cheirados e a fruta, para ser provada. Isso nada mais é uma vivência que os próprios alunos fizeram, durante uma atividade em que foram ao Mercado Municipal e registraram as imagens de morangos.

Esse esforço de mostrar que os cegos também podem ser fotógrafos apareceu depois que os próprios estudantes que freqüentavam a biblioteca em braile pediram para ter um curso de fotografia para quem não vê. “No começo, muitas foram as perguntas e provocações”, explica o professor. Mas, ao longo do tempo, Kulcsár percebeu que esta seria uma porta para a inclusão social.

O curso em si tem uma metodologia um pouco diferente. Os alunos passam por basicamente três módulos – “Ensaio”, “Sentidos”, e “Ensaio Fotográfico”. Na primeira parte são desenvolvidas técnicas de distanciamento e enquadramento. Depois, no segundo momento, eles usam otato, olfato, epaladar, tendo condições de expressar suas idéias. E, em seguida, começam a registrar momentos na última parte do curso.

Mais
Quem quiser conferir a experiência de Kulcsár e seus alunos também poderão participar da “Conferência de Direitos Visíveis III – Fotografia como Ferramenta de Alfabetização Visual.” Há 100 vagas  e também é Catraca Livre. O encontro prevê debates sobre assuntos ligados à fotografia e à inclusão dos deficientes visuais na sociedade.

Galeria de imagens:

Dica Catraca

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Serviço

O Que: “Percepção do Visível"
Quando:
  • Qui 27/11 das 15:00 às 21:00
  • Sex 28/11 das 09:00 às 18:00
Quanto: Catraca Livre
Onde:

Centro Universitário Senac

Obs: Avenida Engenheiro Eusébio Stevaux, 823 – Santo Amaro Inscrições para o debate: www.sp.senac.br Tel.: 0800 883 2000

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Comentários (19)
NomeMaria Izabel 29 de março de 2011 às 9:52

Ser corpo deficiente não significa ser corpo ausente; ser corpo deficiente é ser corpo como outro ser qualquer.
Compartilho com esse assunto pois trabalho com deficientes visuais enquanto psicóloga na AADV (Associação Assistência Deficientes Visuais) Poços de Caldas-MG.
Parabéns pelo trabalho.

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Sabrina Mirelle 9 de fevereiro de 2009 às 13:22

É impressionante o fascínio que eu tenho por essas pessoas, é uma pena eu ter lido tarde pois gostaria realmente de ter ido a exposição, a fotografia uma outra paixão ganha realismo na mãos de pessoas tão queridas e dedicadas;)

Quando tiver outra me avisem, eu tenho vontade de trabalhar um dia com danças ou fazer algum projeto do tipo tb com deficientes visuais.

Se tiverem algum site que já exista me enviem pra eu me voluntariar ok ;)

Beijão bom trabalho Sabrina Mirelle

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magnolia damasceno 4 de janeiro de 2009 às 14:15

Maravilhoso esse espetáculo de acessibilidade que vcs do catarca proporcionaram para nós, tidos normais pois a diferença ela também era preconceituosa da parte das pessoas que lidavam com ela dentro do seu próprio grupo,mas com toda regra é uma excessão, alguém do grupo resloveu nos dar acesso através das dicurssões desse tema que a diferença ou a deficiência
como parte do nosso cotidiano, pois essas pessoas estão e convivem com conosco há muito tempo, e não percebíamos essas inúmeras habilidades e competências fantásticas que fazem ouvir,enxergar,e se locomover com as cadeiras de rodas e outros acessórios,sim porque dessa percepção viajamos
e entramos no mundo desses artistas com toda ACESSIBILIDADE IMPOSSÍVEL DE SER ALCANÇADA.
Parabéns por essa iniciativa de nos dar acesso a cultura e informações que nos ajudam enxergar outras perspectivas que não sejam a TV, E OUTRAS BANALIDADES QUE ATÉ ENTÃO ERAMOS LIMITADOS A AGUENTAR ,PORQUE
NÃO DISPOMOS DE MUITA GRANA, MAS NO NOSSO MEIO TEM UMA GALERA QUE CURTE PROGRAMAS OS QUAIS ESTÃO NESSE SITE , E QUE PARTICULARMENTE
É THE BEST. JÁ ESTOU TORCENDO QUE APAREÇAM PESSOAS COM ESSE TIPO DE ATITUDE EM SALVADOR,POIS SOMOS TAMBÉM RICOS EM CULTURA E O ACESSO PRA VER O BALÉ DO TEATRO CASTRO ALVES É UMA INACESSÍVEL IMPOSSIBILIDADE PORQUE NOSSA GRANA É CURTA E NÃO PORQUE SOMOS DE BAIXA RENDA.

Magnólia sou de Salvador,tenho um mês que cheguei e escutei vcs no rádio e amei essa proposta de visitá-los.
Um abraço.

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nathy 2 de janeiro de 2009 às 11:46

Sempre digo que há diferença entre ver e enxergar, pois este vai muito além do que os olhos mostram.
Sinestesia pura este projeto.
Parabéns!

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marly mifano 10 de dezembro de 2008 às 16:01

Sou voluntaria no Grupo Chaverim que trabalha com inclusão de pessoas com necessidades especiais e me interessei por esta exposição de fotos tiradas por cegos mas ela ja terminou, então gostaria de saber se é possivel visita-la em outro lugar.
obrigada Marly

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Juliano Siqueira Campos 8 de dezembro de 2008 às 8:23

Por falar em foto, vi um post legal sobre o assunto em http://tatirez.blog.terra.com.br

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Wilton Matos 7 de dezembro de 2008 às 22:00

Olá! Faço parte de um grupo de fotografia participativa aqui em Fortaleza. Adorei o trabalho e o resultado. Parabéns aos fotógrafos que buscam suas imagens com o terceiro olho. Como Bavkar, com o olho da imaginação.

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José 7 de dezembro de 2008 às 9:57

Vc viu!? É impressionante!!! Após o contato c/ o projeto passei a “enxergar” melhor. Obrigado.

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marcos sath 5 de dezembro de 2008 às 18:36

Não entendi o furor e os clichês. O que de fato há de indentificação entre imagens e pessoas que não conhecem a propriedade da visão? São nossos olhos, não os deles que veêm “enquadramentos incríveis”, “perspectivas sensíveis”e “um substrato gráfico”.
Um barro modelado, não seria uma conexão muito mais íntima? Na verdade muito mais que uma expressão artística, a escultura de uma cego não será uma total subversão de como enxergamos?
A iniciativa abriu espaço para este ponto de vista.

Grato.

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Thelma 5 de dezembro de 2008 às 11:44

Maravilhosas as imagens… Essa é a prova de que a ausência do sentido da visão não impede o ser humano de enxergar. Obrigada aos fotógrafos.

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Pedro Ernesto Silveira 3 de dezembro de 2008 às 12:59

A ausência de um sentido não é a perda das sensações,
a exploração das possibilidades surpreende o desconhecido.
Se orientados, sentimos do nada várias explosões.
Se amados, revelamos o artista adormecido.

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Fernando Rabelo de Souza 2 de dezembro de 2008 às 18:47

Belíssima iniciativa, parabéns aos fotógrafos e fotógrafas.

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Luciene Alves de Oliveira 2 de dezembro de 2008 às 9:56

Parabéns! não tenho nenhum conhecimento em fotográfia, ouvi no rádio sobre esse trabalho e fiquei muito curiosa. Conclusão: fiquei impressonada com o “click” dos deficientes visuais . Ter o dom de ensinar pessoas superarem seus limites é um dádiva. Parabéns aos organizadores.

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SONIA LESSA DEI GUERRA 1 de dezembro de 2008 às 17:32

SO NÃO VÊ QUEM NÃO QUER. TODOS NÓS TEMOS UMA VISÃO INTERIOR . BASTA FECHARMOS OS OLHOS E ENXERGAREMOS O MUNDO ASTRAL. O MUNDO DE DEUS.

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juliana almeida 1 de dezembro de 2008 às 16:25

Parabéns pelo trabalho, as fotos são espetaculares!!!

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Eduardo El kobbi 30 de novembro de 2008 às 22:07

Maravilhoso !
Acho que seria difícil definir a importância de um projeto desta magnitude.
Sou fotógrafo há 26 anos e já fotografei “Gentes do Mundo” em vários paises e vendo este material produzido por estes artistas deficientes visuais, tenho certeza que se alguns deles tiverem a oportunidade de desenvolver um tema como foco de um trabalho consistente, certamente teremos registros maravilhosos, como podemos conferir neste mostra que espero ter continuidade.
PARABÉNS A TODOS OS ENVOLVIDOS NESTE PROJETO !
Eduardo El Kobbi

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Nadine Vogel 26 de novembro de 2008 às 19:14

Sou educadora e terapeuta floral e metafísica. Essas maravilhosas iniciativas ilustram sempre minhas atuações em aulas, palestras e até mesmo em atendimentos clínicos. Isso prova que existe um Brasil criativo, alegre e, principalmente, um Brasil que acredita na educação como uma forma de engrandecimento.

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Shirley Vitorino 26 de novembro de 2008 às 14:54

Tive a oportunidade de trabalhar num acampamento de verão onde cuidei de crianças com deficiencia visual. Foi a experiência mais maravilhosa da minha vida. Amo fotografia e estou começando a estudar nessa área. Quando vi as fotos clicadas pelos alunos deficientes visuais, me lembrei da experiência que vivi no acampamento e afirmo orgulhosa dizer que a arte liberta as pessoas e que os deficientes visuais são pessoas completamente dotadas de todas as possibilidades artisficas. Prova disso é este maravilhoso projeto. Parabéns!

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Nimia Braga 26 de novembro de 2008 às 9:41

Meus parabéns pela iniciativa. Eu sou fotógrafa e venho amadurecendo um trabalho de exposição para esta pessoas especiais. Mais uma vez, parabéns. Gostei das fotos.

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