Sacolão vira centro cultural

Gilberto Dimenstein em 22/07/09

Tudo começou porque Valdir lera que, naquela região, quase ninguém ia ao cinema nem, muito menos, ao teatro

Com licenciatura em física na USP, depois de ter passado três anos na Poli, Valdir Ferreira deu aula em cursinhos pré-vestibulares e escolas privadas (Rainha da Paz e Oswald de Andrade).

Em 2005, quando já estava rumando para os 60 anos de idade, resolveu fazer mestrado no curso de pedagogia -seu foco era estudar como a educação gera transformação social. Com essa mistura de professor, físico, engenheiro e pedagogo, ele fez uma experiência dentro de um sacolão decadente da periferia.

Valdir montou num sacolão, no Grajaú, um centro cultural. “Tudo começou porque li que, na região, quase ninguém ia ao cinema nem, muito menos, ao teatro.” O mercado foi apenas um estopim para uma costura de uma colcha de retalhos urbana.

Enquanto fazia o mestrado de educação, Valdir foi convidado a comandar a Subprefeitura de Capela do Socorro, responsável por três grandes distritos, entre os quais o Grajaú -os três distritos englobam 700 mil habitantes, a maioria deles vivendo na pobreza.

Foi aí que se deparou com o tal sacolão decadente. Conseguiu recursos para convertê-lo num lugar para -além de exposições, filmes, peças e shows- oferecer oficinas. Resolveu batizar a biblioteca de Graciliano Ramos. “Muita gente achou que o Graciliano era o nome de um vereador.” Inclusive entre funcionários da própria prefeitura.

divulgaçãoAntes

Como ficou e como era

Iniciou-se então a costura dos retalhos. Reformou-se um campo de futebol, que era grudado ao antigo sacolão. Em seguida, uma rua virou um calçadão, estendendo-se por um jardim cortado por um córrego, onde nasceu uma praça, com brinquedos. Com a proibição de circulação de carros, o campo de futebol e o espaço cultural se ligaram a um centro de referência da mulher que, por sua vez, é vizinho de uma pré-escola, grudada a uma escola, separada por um muro de um ginásio de esportes -tudo conectado a um batalhão da Polícia Militar. Olhando por cima, é como se surgisse uma ilha verde num oceano cinza.

mapa

mapa

No entorno dessa “ilha” foi feita uma calçada. “Quando percebemos, era como se fosse um único espaço.”Era, na prática, como se tivessem construído um CEU sem grades. O passo agora é ensinar os professores e alunos a usar todos aqueles equipamentos como uma extensão da sala de aula. “Algumas aulas podem ocorrer, por exemplo, no cinema ou no campo de futebol.”

O prefeito Gilberto Kassab viu aquele modelo e pediu a seus secretários estudos para ver como poderia ser replicado pela cidade, especialmente na periferia -é bem mais barato e rápido do que construir um CEU porque utiliza o que existe.

Na semana passada, o projeto ganhou o nome de “Céu Aberto”. Para Valdir, é como se tivesse tirado do papel sua dissertação de mestrado. Já viu que algumas crianças não só sabem quem é Graciliano Ramos, mas, na biblioteca, já leram “Vidas Secas”.

Córrego do Parque Linear, próximo ao sacolão:

antes

Antes

depois

Depois

Dica Catraca

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Comentários (12)
Ana Rosa Maia 27 de julho de 2009 às 12:25

Waldir,
Parabéns por implantar políticas públicas, com possibilidades de promover o bem estar, a inclusão social. Promover intergação com cultura, esporte e educação….., é tudo de bom!!!!
ABRAÇOS

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Priscilla Gatto 24 de julho de 2009 às 12:52

Pra mim, ler a sua ideia me trouxe esperança. Sou educadora e estava navegando em busca de lincar algumas vontades e sonhos pra avançar nos estudos na linha da educação… e encontrei vc e todo esse projeto lindo! Fiquei com vontade de visitar e contemplar. Moro em Santos, mas a partir de hj esta nos meus planos ir conhecê-lo.
Q Deus te abençoe grandemente e te faça prosperar todas as obras de suas mãos!!
Parabens!

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Ramalho Antunes Junior 23 de julho de 2009 às 19:09

Como é bom ver este trabalho feito por uma pessoa de visão social onde engloba tudo de bom para a comunidade e para a cidade onde temos um oceano de problemas de todas dimensões.Faço votos que este trabalho se multiplique pela cidade que tanto gostamos e queremos ve-la transformada para o bem de todos.
Sucesso Valdir meus parabéns…….

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maria do carmo oliveira 23 de julho de 2009 às 11:07

Parabéns! Trabalho de excelência! É muito bom ver idéias sendo postas em prática a partir da realidade local. Muito bom! Isso demonstra como é fácil fazer a diferença e melhorar a qualidade de vidas da pessoas.

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arlete b.parro 22 de julho de 2009 às 22:34

Ouvindo hoje a CBN, vim conferir o site pois lembrei que o Sr. Valdir foi professor de minhas filhas no Colégio Rainha da Paz. Achei o trabalho maravilhoso. O professor Valdir merece todo o nosso respeito por esse projeto sensacional. Abraços Arlete

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Francisco Plácido 22 de julho de 2009 às 22:24

Caro Gilberto Dimenstein, obrigado por divulgar o trabalho do Professor Valdir. Nós, brasileiros, estamos acostumados a ver e ouvir somente notícias trágicas, violentas, parece até que o bem não não existe em nossa sociedade.
Li no jornal, como de constume, o seu maravilhoso artigo, entrei no site e verifiquei o bem realizado pelo nosso atento e antenado Prof. Valdir, a ele o nosso reconhecimento e agradecimento, que seu projeto tenha vida longa, seja imitado e multiplicado por tantos quantos acreditam em uma socidade mais justa, solidária e fraterna, que passa inegavelmente pela educação transformadora e de valor inestimável. Fraterno abraço, Francisco Plácido – Goiânia – Goiás

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Priscilla 22 de julho de 2009 às 16:19

Ouvi hoje na CNB e vim conferir no site. Adorei! Fico imensamente feliz em saber que não existem só Sarneys – na política existe gente como o Valdir empenhada em melhorar a vida das pessoas.
Bjs
Priscilla

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josé Carlos da Silva 22 de julho de 2009 às 15:03

Parabéns, a mais este brasileiro, que tirou do fundo do coração idéias que surprienderam até mesmo o poder executivo do Municipio. A credito que este é o perfil do vanguardista após a abertura politica , pessoas iguais a ele nos enche de orgulho de ser brasileiro, e escrevem e rescrevem uma nova história. Sendo assim nem tudo esta perdido[...].Matéria FS.22/07/09 pag.C2

Como disse, um velho politico ” O Homem não é um mero contemplador da História, é um Agente de Mudança”

Estou mandando meu e-mail para este pedagogo, pois estou dentro de uma pesquisa que pretende dar enfase a história do negro no Brasil, a revolta dos Malês.

Muslimjc@yahoo.com.br

Muslimjc/Brasilândia.

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jucelino cecel peixoto 22 de julho de 2009 às 11:13

Muito mais do que verbas, criatividade e sensibilidade para perceber demandas que aos olhos do poder público tem sido ignoradas ao longo de décadas. Não é por acaso que iniciativas como essa partam de um educador, e não de técnicos de gabinete. Que essa idéia se espalhe como um ” vírus do bem” por nossa cidade, contagiando a todos e tornando nossa cidade melhor. Como único adendo, poderíamos pensar também em acrecentar espaços livres de multiplo uso, onde poderíamos ter eventos diversos ao longo do ano, como Shows, Circos, pequenos Parques de Diversões móveis, Cinema mambembe sob lona. Ou seja, multiplas formas de lazer e cultura num único espaço. Parabéns ao nosso Educador com E maiúsculo.

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joão amorim 22 de julho de 2009 às 11:05

isso é muito bom. Ações como essa alimentam a convicção de que a cidade de São Paulo pode ser inclusiva e humanizadora. Depende muito de bons gestoes. Parabéns

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Elen 22 de julho de 2009 às 10:56

Ola!
Moro em Nova Iorque e decidi hoje escutar a CBN para saber sobre as noticias do Brasil. Escutei o Gilberto Dimenstein e fiquei bem interessada em conhecer sobre o projeto no Grajau. Quero parabenizar o Gilberto por estar constantemente atualizando aos ouvintes sobre as acoes sociais no Estado de SP. Parabens Gilberto e obrigada por nos atualizar sobre as coisas boas que ocorrem no nosso pais. Fico muito orgulhosa em saber que o Brasil esta muito melhor do que quando o deixei. Abracos, Elen

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Paulo 22 de julho de 2009 às 10:27

Adorei a matéria. Moro bem próximo à Subprefeitura Capela do Socorro e já passei algumas vezes neste local mas não imaginava que havia no lugar um espaço de valorização à cultura. Há muitas empresas na região que podem contribuir para a ampliação deste trabalho. Trabalho em uma editora (que fica na região, assim como há outras editoras próximas) e pode ser interessante aos diretores dessas empresas doarem literatura para este projeto.
Quero parabenizar o prof Valdir Ferreira pela iniciativa e por apostar em projetos de promoção humana e ao Gilberto Dimenstein por empenhar-se na divulgação desses e outros trabalhos.
Um grande abraço.
Paulo

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