10/02/2010

Quixote de bicicleta

Gilberto Dimenstein em 12/08/09

Chamado pelos filhos de “professor Pardal”, porque tantas eram suas engenhocas espalhadas pela casa (a tampa aquecida da privada ou um tobogã dentro da sala, por exemplo), o engenheiro industrial Felício Sadalla sempre foi obcecado pela ideia de que as cidades deveriam criar ciclovias.

divulgaçãoFelício

Criador e criatura

Falava e dava o exemplo: todos os dias, percorria 13 quilômetros até o trabalho, montado numa bicicleta elétrica desenvolvida em sua garagem, há 35 anos. “Eu provavelmente era a única pessoa no país a andar de bicicleta elétrica.”

Mas ele não achava nada extravagante. “É uma simples questão de bom senso.” Para ele, uma bicicleta pesa 20 quilos e carrega sem problemas um ser humano -um carro pesa uma tonelada. “Nada é tão barato, comparado com rodovias e metrô, do que abrir uma ciclovia.” Sem contar a óbvia economia de combustível, reduzindo a poluição.

A bordo de sua invenção, Felício sentia-se isolado como uma espécie de Quixote urbano. Por isso, ficou emocionado com a notícia recebida, no mês passado, no dia em que completou 81 anos. “Fiquei quase cinco noites sem dormir direito.” Com tanta agitação, o médico recomendou-lhe repouso fora de São Paulo.

Vindo do Mato Grosso, quando tinha quatro anos, Felício fez parte de uma das primeiras turmas da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) e se especializou na Inglaterra. Poliglota, fala sete línguas e tem como um dos seus prazeres vasculhar sebos.

De volta ao Brasil, montou sua empresa e sempre acompanhou as experiências do carro elétrico desenvolvido no Brasil pelo empresário Amaral Gurgel, de quem era amigo pessoal. “O motor não funcionava direito para o carro.” Ajudou a adaptar um motor híbrido, combinando eletricidade e gasolina -também está em seu currículo ter ajudado o navegante Amir Klink.

Fez a sua bicicleta elétrica, acreditando que as cidades deveriam construir uma alternativa urgente aos automóveis. Mas sentia que ninguém prestava atenção -a modernidade se traduzia nos carros ou no metrô.

Com a idade avançada, a bicicleta ficou encostada. Mas não ficou parada. Uma seguradora (Porto Seguro) já usava bicicleta para oferecer socorro aos seus segurados e soube do modelo desenvolvido por Felício.
Decidiu estudar a possibilidade de produzir em série, contratando um escritório de design. Felício dava as dicas sobre o motor, sem qualquer preocupação com patente.

No dia do seu aniversário, ele recebeu a notícia do início da produção brasileira das bicicletas elétricas para circularem em São Paulo, com motor ecológico. Na data de seu nascimento, se comemoravam os 40 anos que o homem pisou na lua.

Foi um dia tão marcante que Felício viu a grandiosidade daquela viagem espacial como uma boa coincidência para festejar sua bicicleta.

Veja também

Prefeitura inicia construção de ciclovias em São Paulo

Dica Catraca

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Comentários (57)
Vinícius Alves 22 de agosto de 2009 às 18:04

Parabéns Sr. Felício. É inspirador ouvir histórias como a do senhor.

MARCELO SADALLA 24 de agosto de 2009 às 15:17

ISSO QUE OCORREU COM MEU PAI É UM EXEMPLO DE QUE POR MAIS QUE ESTEJAMOS CANSADOS E ISOLADOS; AQUILO QUE SONHAMOS SEMPRE E QUE ACREDITAMOS QUE PODERIA SE TORNAR REALIDADE ,UM DIA SE TORNA

PARABÉNS ,VOCÊ MERECE

Ademar Francisco Pozzer 25 de agosto de 2009 às 21:42

Parabéns Sr. Felício, tanto pelo destaque na imprensa, por suas contribuições, ecologicamente corretas, para com a sociedade e o planeta, quanto pelas ideias inovadoras, há tanto tempo acalentadas e que proporcionaram avanços e que ainda farão acontecer muitos outros, para São Paulo, para o Brasil e para o mundo.
Sempre admirei sua paciência, serenidade e espírito criativo do Sr. Felício. Sua engenhosidade e inovação nas particularidades de bicicletas elétricas numa sala, carro elétrico na garagem, livros na estante e é claro, o violino a postos para animar a qualquer hora.
A partir do momento que conheci a Dna. Magda e o Sr. Felício percebi algo especial e que não era nada por acaso. Tudo sempre regado com muita fé, coragem e dedicação pessoal.
Fico muito feliz e muito grato a Deus por conhecer pessoas como o casal Magda e Felício.
Que as bênçãos de Deus continuem copiosas sobre vocês e toda a família!
Com carinho e admiração, o amigo Ademar Pozzer

Carolina Sadalla Rocha 27 de agosto de 2009 às 18:10

Com certeza o vovô é a pessoa que eu mais admiro e que mais me inspira a continuar sonhando. Ele é um visionário e sempre esteve a frente de muita gente.E além disso possui um coração enorme, maior até que coração de mãe…
Sinto muito orgulho em ter um vô tão especial como ele!!!!
Parabéns vô!!!
beijos Lolinha.

Tatiana Sadalla Collese 2 de setembro de 2009 às 15:31

Demorei muito para escrever, a final são vários elogios, um mais lindo do que o outro.
Pensei…pensei….E pensei…
E não consegui encontrar nada que defina o tamanho da minha admiração.
O Vovô e a Vovó são as pessoas mais brilhantes que já conheci. Não existe paixão maior em ajudar o próximo, e estar semmpre se dedicando e procuprando soluções para tornar as pessoas mais felizes, encher seus corações de amor, muitooo amor!
Agradeço a Deus todos os dias por ter os melhores avós do mundo, e ter a oportunidade de aprender e crescer com eles.
Me encho de orgulho e gratidão ao me dar conta de que tenho um poquinho desse sangue correndo em minhas veias…

Eu amo vocês, com toda a minha alma!!!

Amanda Sadalla 9 de setembro de 2009 às 16:34

O famoso professor Pardal!O meu avô!
Já aconteceu com você,caro leitor,de estar em uma sala de aula aprendendo sobre algo que te faz feliz?
Isso sempre acontece comigo,mas vocês devem estar se perguntando,o que isso tem a ver com o Felício Sadalla.
Tem tudo a ver,meu avô é a pessoa mais brilhante que eu já conheci!
Muitas vezes eu estou na aula de ciências e me lembro de meu avô!
Se eu pudesse levantar a mão a cada segundo da aula de ciências para falar sobre o meu avô….Valeria a pena.
Mas isso não acontece só na aula de ciências não,aocntece na visa,pois o meu avô é um exemplo de homem,de cidadão.É um exemplo para tudo!
Eu amo muito esse meu avô!
Como eu falava,muitas vezes na escola eu tenho vontade de chamar o professor e falar:
Professor,você está ai na frente falando sobre o meio ambiente,sobre a poluição,mas você já fez algo para mudar isso?
Isso me deixa muito angustiada,saber que alguem que está na escola para me ensinar,só fala,e fala,mas não faz nada para mudar!
Diferente do meu avô!O meu avô não só fala e crítica,ele age!
Ele toma uma iniciativa,e é assim que eu defino o meu avô,o meu grande orgulho:
um homem forte e determinado,um homem que não desiste de seus sonhos,um exemplo para todos!

Amanda Fenyves Sadalla Costa
13 anos.
email:afscosta@wave.net.br
http://www.amandasadalla.wordpress.com
http://www.twitter.com/sadalla

PATRICIA FENYVES SADALLA COLLESE 15 de setembro de 2009 às 16:07

Prezados Senhores, meu pai perguntou se voces podem nos enviar os e-mails das pessoas que fizeram os comentarios acima . nos queriamos responder para alguns deles se possivel. um abraco , patricia – filha de felicio sadalla