O catador de pensamentos

Gilberto Dimenstein em 02/06/10

Quando a cidade adormece, o senhor Rabuja percorre a rua catando pensamentos. Colhe sem distinção: valem pensamentos bonitos, feios, longos, curtos, complexos, simples. Leva-os para a casa, onde são divididos em categorias e, por ordem alfabética, colocados na prateleira.

De manhã, são plantados e se transformam em flores das mais diferentes cores e formatos, mas com apenas um perfume. Depois, sobem para o céu. Rabuja acredita que, assim, os pensamentos serão eternos.

Esse conto (O Catador de Pensamentos), da escritora alemã Monika Feth, se converteu, na periferia de São Paulo, num jeito de colocar pais e filhos numa mesma sala, encantados pela literatura – e, no caso, nenhum deles com hábito da leitura.

O pensamento florido é um dos truques aprendidos por Silvia Leme para inventar uma nova profissão que nada tem a ver com literatura – “Contar estórias é uma isca”.

Trecho publicado na coluna Urbanidade, do jornal Folha de S. Paulo

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Comentários (1)
Lucia Helena 2 de junho de 2010 às 8:46

A ideia é muito boa e sem dúvida fornecerá belos frutos. Espero que encontre serventia também para causar modificação concreta nos parâmetros pedagógicos dessas aulas ministradas de maneira cansativa e jurássica, especialmente na rede pública, que mais despertam a distração do que o interêsse dessa meninada turbinada , em plena era da internet.

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