A história da filosofia em 40 filmes

Redação em 02/06/11

A Caixa Cultural Rio de Janeiro exibe a mostra “A História da Filosofia em Mais 40 Filmes”. Com curadoria de Alexandre Costa e Patrick Pessoa, a mostra coloca  em pauta temas filosóficos fundamentais e promove o diálogo sobre os cineastas – como Bergman, Bertolucci, Hitchcock, Fassbinder, Scola, Resnais, Saura, Fellini, Ozu, Kubrick, Cassavetes, Hirszman e Godard – entre importantes pensadores, entre eles: Platão, Descartes, Kant, Marx, Nietzsche, Benjamin, Heidegger, Sartre e Foucault. A entrada é Catraca Livre.

divulgação

Cena do filme "Trinta anos esta noite"

Organizada em 10 módulos temáticos, a mostra faz refletir sobre diferentes disciplinas filosóficas, tais como a metafísica, a epistemologia, a ética, a política e a estética. Os módulos são: O Perspectivismo; A (Má) Educação; O Estrangeiro; O Conformista; A Técnica; A Arte; A Guerra; O Velho Oeste; O Brasil; e O Amor.

Ao final da exibição de cada filme, Alexandre Costa e Patrick Pessoa, alternadamente, fazem uma palestra, depois disso abrem espaço para o debate com o público.

Confira abaixo a programação por data:

21 de maio

Cidadão Kane | Orson Welles | Eua, P&B, 1941, 119’

Direção: Orson Welles

Elenco: Orson Welles, Joseph Cotten, Dorothy Comingore, Agnes Moorehead.

Após a morte de Charles Forster Kane, personagem inspirado no magnata da imprensa norte-americana William Randolph Hearst, um repórter é encarregado de reconstituir a sua trajetória com o intuito de revelar a seus leitores a verdadeira identidade daquele homem tão célebre e poderoso. Acreditando que a última palavra proferida por Kane em seu leito de morte, “rosebud”, seria a chave para a compreensão do sentido de sua vida, o repórter entrevista as pessoas que conviveram com ele: colegas de trabalho, empregados e ex-mulheres. O espectador é confrontado com uma série de perspectivas diferentes e não raro contraditórias acerca da identidade de Kane. Será possível reconstituir a verdadeira imagem de alguém? Ou não seríamos mais do que a soma das nossas insuperáveis contradições?

28 de maio

Gritos e sussurros | Ingmar Bergman | Suécia, Cor, 1972, 94’

Direção: Ingmar Bergman

Elenco: Liv Ullman, Ingrid Thulin, Harriet Andersson, Kari Sylvan.

Transcorre o ano de 1900. Em cena três irmãs, Karin, Maria e Agnes, encontrando-se esta moribunda e literalmente no leito de morte. Além delas uma quarta mulher, a criada Anna, que se reveza com as irmãs de Agnes na tarefa de zelar por ela na iminência da morte. Entre os gritos de Agnes, os sussurros de Karin, Maria e Anna. O enredo deste filme de Bergman talvez não ultrapasse essa descrição, mas mostra de forma precisa e aguda como três mulheres revelam quem são ao cuidarem de uma quarta à beira da morte. A partir desse cuidado evidencia-se não apenas a relação afetiva que guardam para com a enferma, mas também a perspectiva que cada uma delas estabelece com a (própria) mortalidade: diante do fato bruto e unilateral que Agnes simbolicamente representa, as demais personagens revelam-se subjetivamente, desenhando uma pluralidade de reações, atitudes e temperamentos diante daquilo que nos (a)parece tão univocamente incontornável.

04 de junho

Crepúsculo dos deuses | Billy Wilder | Eua, P&B, 1950, 100’

Direção: Billy Wilder

Elenco: Gloria Swanson, William Holden, Erich von Stroheim, Nancy Olson.

Este clássico de Wilder é provavelmente o mais ácido filme de Hollywood sobre

Hollywood: uma estrela decadente do cinema mudo, Norma Desmond, tenta voltar à cena com a ajuda de um roteirista fracassado, Joe Gillis, que acaba se tornando seu gigolô, numa trama urdida por uma perniciosa união de interesses e exploração mútua. A genial cena de abertura, dando conta de um crime, revela de imediato que essa trama será contada por um corpo morto que flutua de bruços numa piscina de Hollywood, dando ao cadáver de Gillis o privilégio da narrativa, que desta forma é construída em perspectiva retroativa e revisionista, resultando num filme totalmente composto por flashbacks que revelam o quanto toda e qualquer história é sempre e tão-somente uma versão acerca dos fatos supostamente objetivos. Além do narrador morto, Wilder explora a questão do perspectivismo também pelo viés de Desmond, fazendo-se valer de seus delírios beirando a insanidade para exibir uma visão tão exageradamente desvinculada da “realidade” que nos faz lembrar insistentemente o quanto essa mesma realidade sempre nos escapa porque afogada, como o cadáver de Gillis, nas perspectivas ou nos ângulos de câmera com que divisamos (decidimos divisar?) o “real”.

11 de junho

Psicose – Alfred Hitchcock – Eua, P&B, 1960, 107’

Direção: Alfred Hitchcock

Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, John Gavin, Martin Balsam.

Marion Crane, secretária de uma imobiliária em uma grande cidade norte-americana, precisa utilizar as suas horas de almoço para fazer amor com o namorado. Ela quer se casar, mas ele alega que tem dívidas demais. Para regularizar uma situação que lhe parece pouco respeitável, Marion rouba 40 mil dólares de seu patrão e parte em busca de seu amado, que mora em uma cidade distante. No caminho, acaba tendo que dormir em um decadente hotel de beira de estrada, administrado por Norman Bates, jovem de comportamento estranho, dominado por uma mãe tirânica. O encontro entre Marion e Norman culmina em uma das cenas mais famosas da história do cinema, a cena do assassinato sob o chuveiro, e o resto do filme mostra a irmã e o namorado de Marion tentando descobrir o seu paradeiro. Psicose, no entanto, não é um filme policial, mas um estudo acerca do que Freud chamou de “mal-estar da civilização” e das diferentes maneiras de lidar com ele.

18 de junho

Um sopro no coração – Louis Malle

25 de junho

O casamento de Maria Braun – Rainer Werner Fassbinder

02 de julho

Veludo azul – David Lynch

9 de julho

Uma mulher sob influência – John Cassavetes

16 de julho

O medo devora a alma – Rainer Werner Fassbinder

23 de julho

O inquilino – Roman Polanski

30 de julho

Paixões que alucinam – Samuel Fuller

06 de agosto

Trinta anos esta noite – Louis Malle

13 de agosto

A última gargalhada – Friedrich Murnau

20 de agosto

O conformista – Bernardo Bertolucci

27 de agosto

O desprezo – Jean-Luc Godard

03 de setembro

Mephisto – István Szabó

10 de setembro

2001, uma odisséia no espaço – Stanley Kubrick

17 de setembro

Tempos modernos – Charles Chaplin

24 de setembro

Blade runner – Ridley Scott

01 de outubro

Alphaville – Jean-Luc Godard

08 de outubro

A estrada da vida – Federico Fellini

15 de outubro

Bodas de sangue – Carlos Saura

22 de outubro

O homem das novidades – Buster Keaton

29 de outubro

Cega obsessão – Yasuzo Masumura

05 de novembro

A grande ilusão – Jean Renoir

12 de novembro

Roma, cidade aberta | Roberto Rossellini

26 de novembro

Era uma vez em Tóquio – Yasujiro Ozu

03 de dezembro

A batalha de Argel – Gillo Pontecorvo

10 de dezembro

A Missão – Roland Joffé

17 de dezembro

Os brutos também amam – George Stevens

07 de janeiro de 2012

O homem que matou o facínora – John Ford

14 de janeiro de 2012

Era uma vez no Oeste – Sergio Leone

21 de janeiro de 2012

Vidas secas – Nelson Pereira dos Santos

28 de janeiro de 2012

Cabra marcado para morrer – Eduardo Coutinho

04 de fevereiro de 2012

Terra em transe – Glauber Rocha

11 de fevereiro de 2012

Eles não usam Black-tie – Leon Hirszman

03 de março de 2012

A felicidade não se compra – Frank Capra

10 de março de 2012

O ano passado em Marienbad – Alain Resnais

17 de março de 2012

Um dia muito especial – Ettore Scola

24 de março de 2012

Tudo sobre minha mãe  – Pedro Almodóvar

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Serviço

O Que: A história da filosofia em mais 40 filmes
Quando:
  • de 21/05 a 24/03
    • Sábados das 10:30 às 15:00
Quanto: Catraca Livre
Onde:

Caixa Cultural - Rio de Janeiro (RJ)

Endereço: Av. Almirante Barroso 25, Centro (estação Metrô Carioca). Rio de Janeiro (RJ) - Telefone: (21) 2544-4080

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Comentários (1)
simone 15 de junho de 2011 às 22:05

Quando teremos essa pe´rola em SP ??
Abs,
Simone

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